Manifesto do Povo do Circo Brasileiro da APAECE declara apoio a Lula 13 para presidente.
22/10/2026
Documento reúne reivindicações de artistas, proprietários e escolas de circo, destaca conquistas recentes do setor e defende a continuidade do Ministério da Cultura e a reeleição de Lula para Presidente do Brasil.

O circo brasileiro não vive apenas de aplausos. Vive de trabalho, memória, organização coletiva e da luta permanente pelo reconhecimento de seus direitos. É com essa perspectiva que a Associação dos Proprietários, Artistas e Escolas de Circo do Ceará (APAECE) apresenta um manifesto em defesa da continuidade e do fortalecimento das políticas públicas culturais brasileiras.
O documento surge em um momento de debate nacional sobre os rumos da política cultural e chama a atenção para o papel do Ministério da Cultura, da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e dos instrumentos públicos de financiamento, formação e preservação das manifestações artísticas populares.
Ao reunir as reivindicações dos diferentes segmentos circenses, o manifesto defende que as conquistas institucionais sejam preservadas e que os próximos anos representem avanços concretos para quem faz do circo seu trabalho, sua moradia, sua escola e seu modo de vida.
Conquistas que atravessam gerações
A retomada do Ministério da Cultura em 2023 marcou uma nova etapa da política cultural federal. Para o setor circense, um dos resultados concretos foi o edital Funarte Retomada 2023 – Circo, que destinou R$ 4,1 milhões a 52 projetos selecionados, contemplando diferentes expressões da arte circense, incluindo criação, circulação, memória e formação.
Em 2025, o Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas também abriu possibilidades de financiamento para iniciativas circenses, contribuindo para a discussão sobre a necessidade de apoio permanente, e não apenas pontual, às organizações culturais.
Circo — Funarte
Mas a conquista de maior significado histórico ocorreu em 11 de março de 2026, quando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o Circo de Tradição Familiar como Patrimônio Cultural do Brasil.
O reconhecimento foi resultado de uma mobilização iniciada em 2005, envolvendo famílias circenses, associações, pesquisadores e instituições públicas. Pela primeira vez, essa expressão cultural passou a integrar o Livro de Registro das Formas de Expressão do patrimônio imaterial brasileiro.
A conquista, entretanto, não elimina os desafios cotidianos: a dificuldade de encontrar terrenos adequados para instalar as lonas, as exigências burocráticas, os obstáculos de acesso à educação e à saúde e o preconceito contra a itinerância continuam presentes na realidade de muitas famílias.
A voz dos circenses do Ceará
Para Reginaldo, presidente da APAECE, o manifesto expressa a necessidade de transformar reconhecimento cultural em condições concretas de trabalho e o caminho é o voto consciente em Lula para Presidente, por todas as políticas criadas no seu governo e pela abertura e diálogo dos circenses com o Ministério da Cultura e com a Funarte
“O circo brasileiro conquistou reconhecimento, mas ainda precisa conquistar condições dignas para continuar existindo. Não basta reconhecer nossa história como patrimônio cultural se as famílias circenses continuam enfrentando dificuldades para instalar suas lonas e exercer seu trabalho. Precisamos de políticas públicas permanentes, construídas com a participação de quem vive do circo. e neste momento isso só pode acontecer vontado em Lula para Presidente”
A posição sintetiza uma reivindicação histórica do setor: o reconhecimento simbólico deve caminhar ao lado de medidas efetivas de proteção social, financiamento e respeito à diversidade das formas de organização circense.
Escolas de circo: formação, cidadania e continuidade
A mobilização também envolve as escolas de circo, que desenvolvem ações de formação artística, educação popular e convivência comunitária.
Em Aracati, em Canoa Quebrada, no litoral cearense, a Associação Cultural Canoa Criança integra essa trajetória por meio de atividades que articulam arte, infância, formação e participação cultural.
Seu presidente, Francisco Edvando, destaca a importância de compreender as escolas de circo como espaços de transmissão de conhecimentos e de construção de oportunidades.
“Quando defendemos as políticas públicas para o circo, estamos defendendo também o direito das crianças e dos jovens de aprender, criar e participar da vida cultural de suas comunidades. Uma escola de circo é um espaço de formação artística, mas também de convivência, cidadania e construção de futuro. Precisamos garantir que essas experiências tenham continuidade. E so vejo um caminho, reelegendo Lula para Presidente.”
A presença das escolas no manifesto amplia o debate para além da atividade espetacular, reconhecendo o papel pedagógico, social e cultural do circo brasileiro.
Cristina Diôgo: pesquisa, memória e participação política
A socióloga e pesquisadora circense Ana Cristina Diôgo Gomes de Melo, que contribuiu para a elaboração do manifesto, desenvolve uma trajetória dedicada à investigação da cultura circense, à educação popular e à articulação entre pesquisa e políticas públicas.
Sua participação reforça a compreensão de que os direitos dos circenses precisam ser construídos a partir da escuta dos próprios sujeitos, respeitando as especificidades dos circos itinerantes, das escolas, dos coletivos e das famílias que preservam seus saberes.
“O circo brasileiro tem uma longa história de resistência, mas resistência não pode continuar sendo sinônimo de abandono institucional. O reconhecimento do Circo de Tradição Familiar como Patrimônio Cultural do Brasil é uma conquista extraordinária, construída por muitas mãos ao longo de décadas. Nosso desafio agora é transformar esse reconhecimento em direitos, orçamento, salvaguarda e participação efetiva dos circenses na formulação das políticas públicas. Isto só pode acontecer se conseguirmos eleger Lula para presidente do Brasil”
Para a pesquisadora, a organização coletiva constitui uma dimensão essencial da história do circo. A articulação entre artistas, proprietários, educadores e pesquisadores permite que problemas antes tratados individualmente passem a integrar uma agenda pública de direitos que o Ministério da Cultura, através da FUNARTE tem avançado.
O Ministério da Cultura no centro do debate
Ao defender a permanência e o fortalecimento do Ministério da Cultura, o manifesto coloca em discussão a continuidade das estruturas públicas responsáveis pela formulação e execução das políticas culturais.
O documento chama atenção para a necessidade de assegurar recursos orçamentários, descentralizar investimentos e consolidar programas que atendam à diversidade territorial e artística do Brasil.
Para o circo, essa discussão possui características próprias. Diferentemente de outras atividades culturais, parte significativa do setor se organiza pela itinerância, exigindo políticas que considerem deslocamentos, instalações temporárias, relações com os municípios e acesso a serviços públicos.
O manifesto também reivindica maior participação das entidades circenses na construção dos instrumentos de fomento e das ações de salvaguarda do patrimônio cultural.
Entre a lona e a política pública
A manifestação da APAECE evidencia uma transformação importante: o circo, historicamente associado ao encantamento dos espetáculos, também se afirma como sujeito coletivo na disputa por reconhecimento institucional e garantia de direitos.
As famílias que atravessam estradas, os artistas que renovam linguagens, os proprietários que mantêm os circos em funcionamento e as escolas que formam novas gerações compartilham desafios que exigem respostas do poder público.
Mais do que celebrar conquistas recentes, o documento coloca uma questão decisiva para o futuro: como garantir que o reconhecimento cultural se traduza em condições permanentes para a existência e a renovação do circo brasileiro?
A lona continua sendo lugar de espetáculo. Mas também é lugar de memória, organização e cidadania.
E o debate sobre o futuro das políticas culturais brasileiras precisa reconhecer essa realidade.
E neste momento foi fundamental a postura dos Circenses do Ceará declarem apoio a Lula 13 para presidente.
Leia o Manifesto:
MANIFESTO DO POVO DO CIRCO BRASILEIRO

Pela continuidade das políticas públicas de cultura, pela democracia e pelos direitos dos circenses
Respeitável público, o circo brasileiro tem voz, tem memória e tem direitos!
Nós, artistas circenses, proprietários de circos, educadores, escolas de circo e trabalhadores da cultura, reafirmamos nosso compromisso com a democracia, com a valorização da arte circense e com a continuidade das políticas públicas que reconhecem o circo como cultura, trabalho e patrimônio do povo brasileiro.
Nos últimos quatro anos, o setor circense conquistou avanços importantes, especialmente com a retomada do Ministério da Cultura, o fortalecimento da Funarte, a ampliação dos mecanismos de fomento, os investimentos em formação e circulação artística e a abertura de novos espaços de participação social.
Em 2026, o reconhecimento do Circo de Tradição Familiar como Patrimônio Cultural do Brasil representou uma conquista histórica para as famílias que, geração após geração, mantêm vivas as lonas, os picadeiros e os saberes circenses.
Esses avanços não nasceram do acaso. São frutos de décadas de organização, resistência e mobilização dos trabalhadores e trabalhadoras do circo.
Defendemos a permanência e o fortalecimento do Ministério da Cultura!
O Brasil não pode abrir mão de uma instituição fundamental para garantir investimentos, preservar a memória cultural, ampliar direitos e assegurar que as políticas públicas cheguem aos pequenos municípios, às periferias, às escolas de circo e às famílias itinerantes.
Defendemos uma Funarte fortalecida, editais permanentes, financiamento descentralizado, proteção aos circos tradicionais, formação artística e respeito aos direitos sociais das famílias circenses.
A cultura não é privilégio. É direito constitucional, trabalho, educação, economia e identidade nacional.
Neste momento decisivo para o país, reafirmamos que as conquistas culturais precisam ser preservadas e ampliadas. O futuro das políticas públicas de cultura deve ocupar lugar central no debate democrático brasileiro.
O CIRCO NÃO PODE RETROCEDER!
Que a democracia permaneça de pé, que as lonas continuem erguidas e que nenhuma família circense seja deixada à margem das políticas públicas.
Pelo direito à cultura. Pela valorização dos circenses. Pela continuidade e ampliação das conquistas do circo brasileiro.
Em nome dos avanços do Circo Brasileiro e em especial do Circo Cearense manifestamos nosso apoio e nosso voto ao Presidente Lula. No dia 25 de outubro circense consciente vota em Lula 13.
APAECE — Associação dos Proprietários, Artistas e Escolas de Circo do Ceará
Ceará, outubro de 2026.