Dia da Consciência Negra no Circo Escola Sangine Pequenos e Grandes: resistência, equilíbrio e força em movimento

“No dia em que o circo celebra a negritude, cada corpo que sobe e cada corpo que se ergue vira ato de resistência.”

20/11/2025

O Circo Escola Sangiñe Pequenos e Grandes celebrou, neste 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra com uma programação especial do Ponto de Cultura Sangine Pequenos e Grandes. O picadeiro se tornou espaço de reflexão, memória e expressão, reunindo crianças, jovens, educadores e comunidade em atividades que reforçam a importância da cultura negra na formação humana e no fazer circense.

A programação contou com duas oficinas principais que dialogam profundamente com o tema da data: Acrobacia de Solo e Equilibrismo (Perna-de-Pau). Cada modalidade explorou, em sua própria linguagem, conceitos de força, autoestima, ancestralidade e resistência — fundamentos centrais do Dia da Consciência Negra.


Bacia Semântica da Acrobacia de Solo – A força que levanta

A Acrobacia de Solo trabalha com a relação do corpo com o chão: apoiar, impulsionar, rolar, equilibrar-se, levantar e recomeçar.

Em sua bacia semântica, encontramos palavras que conversam diretamente com as lutas e conquistas da população negra:

  • Força – física e emocional, necessária para resistir;
  • Base – reconhecer de onde se vem para saber onde pisar;
  • Superação – levantar após cada queda, repetidas vezes;
  • Consciência corporal – compreender o próprio corpo como território legítimo;
  • Raiz – o chão como ancestralidade, memória e origem.

Durante a oficina, essas ideias ganharam corpo por meio dos movimentos das crianças, que aprenderam a reconhecer a potência que existe em cada gesto de erguer-se.

O educador Francisco Viana Barbosa destacou essa relação:

“Na acrobacia, a gente aprende que o chão não é o limite: é o lugar de onde a gente se levanta. No Dia da Consciência Negra, isso fala muito sobre resistência. O povo negro sempre precisou dessa força de levantar, cair e levantar de novo.”

Ele ressaltou que cada impulso do corpo carrega também uma mensagem política:

“A acrobacia ensina que ninguém é pequeno. Ensina que o corpo é forte, é digno, é capaz. Isso é fundamental para a autoestima das nossas crianças.”


Bacia Semântica do Equilibrismo – Perna-de-Pau: ficar alto sem perder o chão

A prática da perna-de-pau foi o eixo da oficina de equilibrismo, convidando crianças e jovens a experimentarem a sensação de crescer e ocupar outras alturas.

Em sua bacia semântica, encontram-se palavras que também dialogam profundamente com a Consciência Negra:

  • Equilíbrio emocional – manter a calma quando o mundo balança;
  • Coragem – enfrentar a altura, mesmo com medo;
  • Autoestima – perceber-se grande, capaz e visível;
  • Responsabilidade – cada passo exige cuidado;
  • Confiança no grupo – ninguém aprende a andar no alto sozinho.

A perna-de-pau mostrou que equilíbrio não significa ausência de queda, mas a capacidade de continuar depois dela.

O educador José Claudemiro da Silva expressou essa metáfora com clareza:

“A perna-de-pau ensina que crescer exige coragem, apoio e muita atenção. Para o povo negro, equilíbrio sempre foi luta. Hoje, cada criança entendeu que pode caminhar alto, desde que saiba onde pisa e conte com quem caminha junto.”

Ele destacou ainda que ocupar espaço nas alturas tem um valor simbólico potente:

“No 20 de novembro, estar no alto é também afirmar presença e identidade.”


Um olhar pedagógico que integra corpo, identidade e ancestralidade

O coordenador geral do Ponto de Cultura, Josivan Lima, ressaltou a importância de trabalhar as duas modalidades de forma combinada:

“A acrobacia fala da força que levanta. A perna-de-pau fala do equilíbrio que sustenta. As duas juntas mostram um caminho: levantar, erguer-se, crescer e permanecer firme. Isso é Consciência Negra.”

A coordenadora pedagógica, Cristina Diôgo, destacou o papel do circo como instrumento de formação integral:

“No circo, o corpo fala. E hoje ele falou sobre orgulho, identidade, presença. As crianças aprenderam que podem se apoiar no grupo, que podem se levantar sozinhas, e que têm o direito de ocupar seu lugar no mundo com firmeza.”


Um 20 de novembro de movimento, pertencimento e futuro

As comemorações do Dia da Consciência Negra no Circo Escola Sangiñe Pequenos e Grandes reafirmaram o compromisso do projeto em fortalecer a autoestima, a consciência crítica e a valorização de uma cultura plural.

Ao vivenciarem a Acrobacia de Solo e o Equilibrismo, crianças e jovens experimentaram, na prática, conceitos que atravessam gerações: resistência, equilíbrio, força, ancestralidade e coletividade.

Neste 20 de novembro, o picadeiro se transformou em praça e território ancestral — onde cada salto e cada passo nas alturas lembravam que a luta por igualdade também se constrói com corpo, coragem e comunidade.

O Sangiñe celebrou a Consciência Negra com movimento, com afeto e com a certeza de que o circo, assim como a história negra, continua vivo, firme e em ascensão.

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