Juazeiro do Norte aprova Lei Municipal do Circo e estabelece marco histórico para a cultura brasileira

Aprovação unânime da lei consolida conquista histórica do povo circense, fortalece políticas públicas culturais e projeta Juazeiro do Norte como referência nacional na valorização do circo, com destaque para a criação da futura Escola Municipal de Circo.

02/05/2026

Vereador Damião Teles abordando no início da Sessão a pauta da Lei Municipal do Circo.

A Câmara Municipal de Juazeiro do Norte aprovou, nesta semana, a Lei Municipal do Circo, de autoria do vereador Damião Teles. A nova legislação regulamenta a instalação e o funcionamento de circos itinerantes no município e representa um avanço significativo no reconhecimento do circo como atividade cultural, econômica e social.

A aprovação é resultado de um processo de mobilização que envolveu artistas, famílias circenses, pesquisadores e gestores culturais, com destaque para a atuação da Comissão Pró-Lei do Circo, formada pela socióloga e pesquisadora circense Ana Cristina Diôgo, pelo artista e gestor cultural Josivan Lima e pelo arte-educador e empresário Ivan Brígido.

Regulamentação e garantia de direitos

Da esquerda para direita: Mister Van, Ivan Brígido, Damião Teles e Josivan.

A lei estabelece normas para o funcionamento dos circos itinerantes, exigindo documentação como alvará temporário, laudos de segurança e licenças sanitárias, ao mesmo tempo em que propõe diretrizes para garantir condições adequadas de trabalho e acesso a serviços básicos.

Entre os principais pontos da legislação estão a garantia de segurança para público e trabalhadores, acessibilidade, cumprimento de normas ambientais e sanitárias, além do reconhecimento do circo como expressão cultural de interesse público. O texto também prevê apoio institucional do poder público, incentivos para circos que empreguem trabalhadores locais e a possibilidade de criação de uma Escola Municipal de Circo.

A norma ainda proíbe o uso de animais em espetáculos, em consonância com legislações de proteção animal, e estabelece sanções em caso de descumprimento das regras, que vão de advertência à cassação do alvará.

Mobilização coletiva e construção participativa

Josivan Lima, Palhaço Teco, fazendo o uso da Tribuna defendendo a Lei Municipal do Circo.

Durante a tramitação do projeto, representantes do setor circense destacaram o caráter participativo da proposta. O artista e gestor cultural Josivan Lima afirmou que a iniciativa foi construída a partir do diálogo com os próprios circenses.

“Não estamos aqui apenas para defender um projeto de lei. Estamos aqui para defender uma história, uma cultura e um modo de vida que há gerações encanta, educa e emociona o nosso povo”, declarou.

Segundo ele, a proposta surgiu de uma articulação que envolveu escuta direta das famílias de circo e resultou em um texto alinhado às necessidades reais do setor. “Esta lei não é favor. Esta lei é reconhecimento”, afirmou.

Josivan também destacou que a legislação responde a problemas históricos enfrentados pelos circenses, como a dificuldade de obtenção de alvarás, a falta de infraestrutura adequada e o acesso limitado a serviços públicos.

Ivan Brígido artista circense, arte educador e empresário apresentando seu pensamento sobre a Lei Municipal do Circo.

Impacto econômico, social e cultural

O arte-educador e empresário Ivan Brígido ressaltou o papel do circo na dinâmica econômica e social das cidades. “O circo não sobrevive apenas de aplauso. O circo sobrevive de política pública, de respeito institucional e de compromisso coletivo”, afirmou.

Ele destacou que a presença de circos itinerantes contribui para a geração de emprego, renda e circulação de pessoas, além de ampliar o acesso da população à arte. “Quando um circo chega, ele movimenta a economia local e promove convivência comunitária”, disse.

Brígido também enfatizou o caráter simbólico da aprovação da lei. “Estamos falando de dignidade, de justiça cultural e de futuro”, declarou.

Reconhecimento de saberes e identidade cultural

Socióloga Cristina Diôgo, pesquisadora circense, autora do livro Mulheres no Picadeiro.

A socióloga e pesquisadora circense Ana Cristina Diôgo destacou que a nova legislação representa o reconhecimento de uma cultura historicamente invisibilizada. Segundo ela, a lei traduz em política pública demandas construídas ao longo de gerações.

Para a pesquisadora, o texto reconhece não apenas a atividade artística, mas também os saberes, modos de vida e formas de organização das famílias circenses. Ela ressaltou que o circo tradicional carrega uma sociolinguística própria e constitui um patrimônio cultural vivo.

Ana Cristina avaliou ainda que a iniciativa pode servir de referência para outros municípios e estados, ao demonstrar a importância de políticas públicas construídas a partir da realidade dos sujeitos culturais.

Posicionamento do autor do projeto

Autor da proposta, o vereador Damião Teles afirmou que a aprovação da lei representa um compromisso com a valorização da cultura popular e com a garantia de direitos para as famílias circenses.

Segundo o parlamentar, o projeto foi desenvolvido a partir do diálogo com artistas e pesquisadores e busca corrigir uma lacuna histórica nas políticas públicas voltadas ao circo. Ele destacou que o reconhecimento institucional da atividade é fundamental para assegurar condições dignas de trabalho e fortalecer o setor cultural.

Marco para o Ceará e o Brasil

Dona Rosenilda artista circense, ensinando sua arte no projeto social Canoa Criança.

Com a aprovação da Lei Municipal do Circo, Juazeiro do Norte se consolida como referência na formulação de políticas públicas para o circo, especialmente no interior do Ceará.

A medida é considerada um marco para o fortalecimento da cultura circense no estado e no país, ao reconhecer oficialmente o circo como atividade essencial à vida cultural, econômica e social.

A expectativa, agora, é que a regulamentação da lei e sua implementação garantam a efetividade das medidas previstas e contribuam para a ampliação dos direitos e oportunidades para o povo do circo.

Juazeiro do Norte aprova Lei Municipal do Circo com forte participação do povo circense

A aprovação por unanimidade da Lei Municipal do Circo pela Câmara Municipal de Juazeiro do Norte foi marcada não apenas pelo consenso entre os vereadores, mas também pela presença ativa e simbólica do povo circense, que ocupou o plenário e levou à sessão suas vozes, histórias e reivindicações.

Entre os momentos mais marcantes da reunião, destacou-se a exibição de um depoimento em vídeo de um representante de família tradicional circense, O Palhaço Bigbig da terceira geração da Família Barreto e que trouxe à tona a realidade vivida por gerações que fazem do picadeiro seu modo de vida.

 A voz da tradição: o circo como vida e resistência

Palhaço Big Big deixando sua mensagem em vídeo.

No depoimento exibido durante a sessão, Big Big reforça que o circo não é apenas uma atividade artística, mas uma herança familiar construída ao longo de gerações. Sua fala evidencia o caráter itinerante da vida circense e os desafios enfrentados no cotidiano, especialmente diante da ausência de políticas públicas adequadas.

O relato destaca a importância de condições mínimas para a permanência dos circos nas cidades, como acesso a água, energia, segurança e respeito institucional. Também chama atenção para a necessidade de garantir direitos básicos às famílias, incluindo educação para crianças e acesso à saúde.

Mais do que um pedido, o depoimento se apresenta como um testemunho de pertencimento: o circo não chega às cidades como algo passageiro, mas como parte integrante da cultura popular brasileira.

Do invisível ao reconhecimento

A exibição do vídeo trouxe emoção ao plenário e reforçou o sentido da lei como resposta a uma realidade historicamente invisibilizada. A fala do circense dialoga diretamente com os argumentos apresentados pelos membros da Comissão Pró-Lei do Circo, evidenciando que a proposta nasce da escuta e da experiência concreta do setor.

Ao dar espaço a essa voz, a sessão reconheceu que por trás do espetáculo existem famílias, trajetórias e saberes que precisam ser respeitados e protegidos.

🏛️ Uma lei construída a partir da escuta

A presença desse depoimento na sessão reforça o caráter participativo da Lei Municipal do Circo, de autoria do vereador Damião Teles. A proposta foi construída a partir do diálogo com artistas, pesquisadores e famílias circenses, consolidando-se como uma política pública conectada à realidade do picadeiro.

A aprovação unânime, somada à comoção provocada pelo depoimento, evidencia que o Legislativo reconheceu a legitimidade dessa demanda.

Um marco que nasce da experiência do povo do circo

A fala do circense de família tradicional não apenas ilustrou os desafios enfrentados pelo setor, mas também reafirmou a importância do circo como cultura viva, transmitida de geração em geração.

Ao incorporar essa escuta no processo legislativo, Juazeiro do Norte dá um passo importante na construção de políticas culturais mais justas, inclusivas e alinhadas à diversidade dos sujeitos culturais.

A aprovação da lei, nesse contexto, deixa de ser apenas um ato institucional e se transforma em um gesto de reconhecimento:

O circo deixa de ser invisível e passa a ser, oficialmente, parte do direito à cidade.

Mágico Mister Van

O mágico Mágico Mister Van também destacou, em depoimento, a importância histórica da aprovação da Lei Municipal do Circo de Juazeiro do Norte. “É com muita alegria que estive presente na sessão de aprovação. Essa é uma lei que vai facilitar o intercâmbio com artistas nacionais e internacionais. Vamos poder receber circos de diversos lugares, fomentando essa cultura milenar, recentemente reconhecida como patrimônio cultural brasileiro pelo IPHAN”, afirmou.

Ele também ressaltou o papel da legislação na transmissão de saberes circenses, destacando que a iniciativa fortalece o diálogo entre gerações e territórios: “A lei vai ajudar essas famílias circenses a repassar sua arte para o povo local e também para artistas e educadores circenses da cidade. Isso abre um longo caminho para a criação da Escola Municipal de Circo”.

Para o artista, no entanto, o desafio agora é garantir que a conquista avance para a prática: “Essa lei precisa sair do papel, e para isso precisamos manter vivo esse movimento que vai consolidar a Escola Municipal de Circo”. Ao final, celebrou o momento vivido: “Como mágico, me sinto honrado em participar desse momento histórico.”

Juazeiro do Norte aprova Lei Municipal do Circo com apoio unânime e reconhecimento do Legislativo

A aprovação por unanimidade da Lei Municipal do Circo pela Câmara Municipal de Juazeiro do Norte foi marcada por um forte alinhamento entre os parlamentares e pela valorização pública da cultura circense como direito. Durante a sessão, além das falas dos representantes do setor, vereadores e vereadoras destacaram, em seus pronunciamentos, a importância histórica da proposta.

Parlamentares reconhecem importância da lei

Vereadora Jacqueline Gouveia

A vereadora Jacqueline Gouveia ressaltou, em sua fala, o caráter estruturante da legislação, destacando que o circo é uma expressão cultural que precisa ser compreendida para além do entretenimento. Ela enfatizou a relevância de garantir dignidade às famílias circenses e reforçou o compromisso do poder público com políticas culturais inclusivas.

Vereadora Pergentina

Já a vereadora Pergentina Jardim destacou o impacto social do circo, especialmente na formação de crianças e jovens. Em sua manifestação, reconheceu o papel educativo e transformador da arte circense, defendendo que iniciativas como essa lei contribuem diretamente para o fortalecimento da cultura e da cidadania no município.

Vereador Vandinho

O vereador Vandinho, que já atuou como gestor cultural, enfatizou a importância estratégica da aprovação da lei para o desenvolvimento cultural da cidade. Ele reconheceu o esforço coletivo envolvido na construção da proposta e destacou que o circo deve ser tratado como política pública permanente, não como ação pontual.

Convergência política em torno da cultura

As falas dos parlamentares evidenciam que a aprovação da Lei Municipal do Circo ultrapassa divisões políticas, consolidando-se como uma pauta de interesse coletivo. O reconhecimento, por parte dos vereadores e vereadoras, de que o circo é cultura, trabalho e direito, reforça o entendimento de que políticas públicas devem dialogar com a diversidade dos sujeitos culturais.

Um marco institucional

A sessão registrada no vídeo demonstra que a Câmara Municipal não apenas aprovou uma lei, mas também reconheceu, de forma explícita, a legitimidade das demandas do povo circense.

Com isso, Juazeiro do Norte dá um passo importante na consolidação de políticas culturais mais inclusivas, estabelecendo um precedente relevante para outros municípios.

A Lei Municipal do Circo nasce, assim, como resultado de escuta, diálogo e compromisso coletivo com a cultura popular.

Confraternizando a vitória da Lei Municipal do Circo.

Ao final da sessão, o vereador Damião Teles destacou que a aprovação da Lei do Circo é apenas o começo de um processo mais amplo de construção de políticas públicas para o setor. Em seu depoimento, conclamou circenses, pesquisadoras e profissionais da educação a se unirem na criação de uma comissão responsável pela elaboração da Proposta Político-Pedagógica da futura Escola Municipal de Circo. Segundo ele, o próximo passo será iniciar o diálogo com o Poder Executivo para a construção do decreto que instituirá oficialmente a escola, cuja proposta de nome — Escola Municipal de Circo Cristina Diôgo — foi sugerida por Ivan Brígido, integrante da Comissão Pró-Lei. Para Damião, essa etapa é fundamental para garantir que a conquista da lei se desdobre em formação, memória e futuro para o circo: “Agora é hora de transformar esse direito em ação concreta.

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