20 de Novembro – Dia da Consciência Negra: Memória, Luta e o Brilho de Benjamin de Oliveira no Picadeiro Brasileiro

"A força da Consciência Negra pulsa no picadeiro: Benjamin de Oliveira transformou o riso em resistência e mudou para sempre a história do circo no Brasil."

20/11/2025

O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, marca a data da morte de Zumbi dos Palmares, líder do maior quilombo da história do Brasil e símbolo da resistência negra contra a escravidão. A data foi instituída para reconhecer e valorizar a luta da população negra, celebrando suas contribuições culturais, sociais e políticas, e reforçando a necessidade de combater o racismo ainda presente na sociedade brasileira.

Mais que um marco histórico, o 20 de novembro é um chamado à reflexão sobre a construção do Brasil e sobre as vidas negras que pavimentaram caminhos, muitas vezes à margem, mas sempre com força, criatividade e resistência. Entre esses nomes que reescrevem a história está Benjamin de Oliveira, considerado o primeiro palhaço negro do Brasil, figura fundamental para compreender também a trajetória da arte circense no país.


Benjamin de Oliveira: o brilho negro que revolucionou o circo brasileiro

Nascido em 11 de junho de 1870, em Pará de Minas (MG), Benjamin Chaves, mais conhecido como Benjamin de Oliveira, cresceu em um Brasil recém-saído da escravidão. Filho de Malaquias Chaves e Leandra de Jesus, ele nasceu livre, mas vivenciou na infância marcas profundas de violência e abuso. A ruptura veio cedo: aos 12 anos, fugiu de casa e encontrou no Circo Sotero um novo caminho — e um destino.

No início, trabalhou como acrobata e trapezista, mas foi como palhaço que se tornou um fenômeno artístico. Em uma época em que artistas negros eram invisibilizados, Benjamin rompeu barreiras e se afirmou no centro do picadeiro, conquistando o público carioca nos primeiros anos do século XX.

Multifacetado, ele atuava, cantava, escrevia peças e dominava o palco em todas as suas linguagens. Seu talento o levou também ao cinema, tornando-se o primeiro artista negro a protagonizar um filme brasileiro, “Os Guaranis” (1908). Benjamin ainda foi responsável por um dos maiores movimentos culturais do país: a criação do circo-teatro, forma de espetáculo que misturava números circenses com operetas, melodramas e narrativas teatrais. Obras como Viúva Alegre marcaram época e revolucionaram o entendimento do circo como espaço de dramaturgia.

Apesar de tanta contribuição, Benjamin enfrentou dificuldades financeiras e o reconhecimento pleno só veio tardiamente. Em 1947, recebeu uma pensão governamental, e faleceu em 30 de maio de 1954. Hoje, seu legado é celebrado como patrimônio da cultura brasileira e referência da representatividade negra nas artes.


Consciência Negra e Circo: um diálogo necessário

O circo brasileiro, como outras expressões culturais, carrega a memória da presença negra — muitas vezes silenciada, mas essencial. Benjamin de Oliveira se tornou símbolo dessa história: um artista que, enfrentando o racismo estrutural e social do seu tempo, abriu portas, reinventou linguagens e provou que a arte também é território de luta, liberdade e identidade.

Celebrar o Dia da Consciência Negra é também reconhecer essas trajetórias que transformaram nosso país. É iluminar histórias como a de Benjamin e de tantos outros artistas que, com coragem e criatividade, fizeram do picadeiro um espaço de resistência e beleza.


Hoje, 20 de novembro, fazemos da praça um palco de memória

A praça — símbolo do encontro, do público e da vida coletiva — se torna, neste dia, um lugar de reflexão, celebração e compromisso. A história de Benjamin de Oliveira nos inspira a continuar fortalecendo a representatividade negra nas artes, no circo, nas escolas, nos espaços de decisão e em toda a sociedade.

Que o Dia da Consciência Negra seja mais que um marco no calendário: seja um gesto contínuo de reconhecimento, reparação e valorização das narrativas que fazem do Brasil um país múltiplo, vibrante e profundamente marcado pela criatividade negra.

Benjamin vive no riso, na cena e na memória.
E nós seguimos fazendo a praça — e o país — ecoar sua história.

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