O clima pode mudar, mas os direitos do povo do circo não podem ser levados pelo vento.

QUANDO UMA LONA TOMBA PELA FORÇA DA NATUREZA É SINAL QUE PRECISAMOS LUTAR POR JUSTIÇA CLIMÁTICA PARA O POVO DO CIRCO

07/02/2026

Quando o vento derruba a lona, o que cai junto é um direito

O mundo está vivendo uma emergência climática.
No papel, isso parece distante.
Na lona, isso é concreto.

O calor está mais forte, a chuva vem fora de hora, o vento chega sem aviso. No semiárido brasileiro, essas mudanças não são previsão: são rotina. E quem vive da estrada, da lona, do corpo em cena e do encontro com o público sente primeiro — e sente mais.

O povo do circo de lona sabe disso há tempos. Cada rajada de vento mais forte, cada chuva prolongada, cada noite sem apresentação por causa do clima é mais do que um contratempo: é prejuízo, risco e insegurança.

Mas é preciso dizer com todas as letras: isso não é azar, nem fatalidade. É injustiça climática.

Emergência climática não atinge todo mundo igual

A mudança do clima não pesa do mesmo jeito para todos.
Quem menos polui não pode ser quem mais paga o prejuízo.

O povo do circo:

  • não tem fábrica;
  • não desmata;
  • não vive da exploração predatória da natureza;
  • mantém práticas de baixo impacto ambiental.

Mesmo assim, é um dos primeiros a sofrer com os efeitos da crise climática. A lona cai, o equipamento quebra, a temporada é interrompida, o público some, a renda desaparece. E quando isso acontece, quase nunca há política pública, apoio emergencial ou reconhecimento institucional.

Não existem, por exemplo, estatísticas oficiais que digam quantas lonas de circo caíram por causa de ventos e chuvas nos últimos anos. O circo não aparece nos relatórios de desastre. Não entra nas categorias da Defesa Civil. Não vira número.

Essa invisibilidade também é injustiça climática.

Quando a lona cai: o caso do Circo VK

Foi exatamente isso que aconteceu com o Circo VK, de propriedade de Marcelo Silva da Costa Vilar.

Fortes chuvas e ventos intensos derrubaram a lona no interior do estado do Ceará, na cidade de Croatá dos Martins comprometendo a sobrevivência de uma família circense, que recentemente tinha inaugurado seu circo. O Sonho de Marcelo foi ao chão, mas jamais sua coragem em recomeçar, legado da sua mãe, a Mestre Cida Vilar, que havia presenteado o filho com essa lona.
Não foi descuido.
Não foi imprudência.
Foi o clima extremo agindo sobre uma estrutura que já vive no limite da resistência.

A queda da lona não representa apenas um dano material. Ela afeta:

  • o trabalho de uma família inteira;
  • a segurança de artistas e trabalhadores;
  • o acesso da comunidade ao circo;
  • a continuidade de uma tradição cultural.

O Circo VK foi vítima direta da emergência climática e da injustiça que ela carrega:

Quem menos contribui para o problema é quem mais sofre as consequências.

Envie sua solidariedade ao Circo VK

Chave Pix: 00401112101

Marcelo Silva da Costa Vilar

Solidariedade é necessária, mas não é suficiente

Diante da queda da lona, o que surge primeiro é a solidariedade. E ela é fundamental. O povo do circo sempre se apoiou, porque sabe que, na maioria das vezes, está sozinho.

A campanha de solidariedade ao Circo VK é um gesto de cuidado coletivo, de reconhecimento e de urgência. Ela ajuda a levantar a lona, garantir o básico, seguir em frente.

Mas é preciso dizer com clareza:
solidariedade não pode substituir direito.

Quando toda queda de lona vira vaquinha, algo está errado no sistema.

Justiça Climática: do discurso à prática

Justiça Climática é entender que:

  • a crise do clima não é culpa de todos por igual;
  • seus impactos não podem cair sempre sobre os mesmos;
  • povos e comunidades tradicionais têm direito à proteção.

Falar de justiça climática para o povo do circo é falar de:

  • direito ao trabalho;
  • direito à cultura;
  • direito à segurança;
  • direito à continuidade do modo de vida itinerante.

É nesse sentido que o Fundo de Justiça Climática para o Povo do Circo se apresenta como uma alternativa concreta.

Fundo de Justiça Climática para o Povo do Circo: uma resposta necessária

O Fundo de Justiça Climática para o Povo do Circo propõe:

  • apoio financeiro emergencial quando a lona cai;
  • investimento em adaptação climática do circo;
  • formação e informação sobre direitos e justiça climática;
  • criação de um cadastro e registros dos impactos climáticos no circo.

Esse Fundo nasce para enfrentar um problema estrutural:
a ausência de políticas públicas específicas para o circo diante da emergência climática.

Ele afirma que:

o clima pode mudar,
mas os direitos do povo do circo não podem ser levados pelo vento.

Registrar para existir

Uma das maiores violências contra o povo do circo é a falta de registro. Quando não há dados, não há política. Quando não há números, não há orçamento. Quando não há reconhecimento, tudo vira improviso.

Por isso, a construção de uma memória climática do circo é parte da justiça climática. Registrar quantas lonas caíram. Quanto custou levantar. Quantas temporadas foram interrompidas. Quantas famílias ficaram sem renda.

O que não é contado, não é considerado.

O lugar de fala do Fazendo a Praça

O site Fazendo a Praça se coloca ao lado do povo do circo. Não como observador distante, mas como parte dessa luta. Falar de justiça climática a partir do circo é afirmar que cultura também é território, também é trabalho, também é vida.

A queda da lona do Circo VK não é um caso isolado. É um sinal de alerta.

Enquanto o clima muda, o poder público precisa mudar junto.
Enquanto o vento aumenta, a proteção precisa crescer.
Enquanto a lona cai, os direitos precisam se levantar.

Como apoiar agora?

  • Apoie e divulgue a campanha de solidariedade ao Circo VK;
  • Fortaleça iniciativas do povo do circo;
  • Pressione por políticas públicas de justiça climática;
  • Reconheça o circo como sujeito de direito, não como exceção.

Porque justiça climática também se faz assim:
Ouvindo quem está debaixo da lona quando o céu desaba.

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