“O Brasil de Nariz Vermelho: Origens, Memórias e Homenagens no Dia do Palhaço”
Um passeio pela história da data, pelas trajetórias que moldam a palhaçaria brasileira e pela homenagem especial ao Ceará, terra do eterno Trepinha.
10/12/2025De onde vem o Dia do Palhaço?
O Dia do Palhaço, comemorado em 10 de dezembro, tem raízes no Brasil. A data começou a ser celebrada em 1981, quando grupos culturais e empresas de entretenimento passaram a dedicar esse dia à arte da palhaçaria, reconhecendo a importância do riso como expressão artística e social. Com o passar dos anos, a celebração ganhou força entre circos, artistas de rua, escolas e coletivos culturais, até ser oficializada pelo Estado brasileiro.

Em 21 de dezembro de 2017, a Lei nº 13.561 instituiu oficialmente o Dia do Palhaço no calendário nacional, transformando essa celebração — já popular e simbólica — em efeméride reconhecida em todo o território brasileiro. A partir daí, a data consolidou-se como momento de valorização dos artistas que, com maquiagem, figurino, poesia, crítica e humor, mantêm viva uma tradição essencial da cultura popular e do circo.

HOMENAGEM DO “FAZENDO A PRAÇA” AOS PALHAÇOS E PALHAÇAS DO BRASIL
Hoje, 10 de dezembro, celebramos aqueles que carregam no rosto a coragem de transformar o mundo: os palhaços e as palhaças. Artistas da alegria, guardiões da leveza, mestres do riso que atravessam gerações, territórios e dificuldades levando poesia, crítica, ternura e esperança para quem está diante deles — seja na lona, nas ruas, nas praças, nos hospitais, nas escolas, nos becos ou nos interiores do país.
O “Fazendo a Praça” rende homenagem a cada artista da palhaçaria que insiste em encantar mesmo quando o cenário é adverso; a cada mulher, homem e pessoa trans palhaça que reinventa o humor com sua sensibilidade e força; a cada palhaço tradicional que mantém viva a cultura dos circos itinerantes; a cada jovem que descobre sua máscara e faz dela uma forma de existência e expressão.
Celebramos também os palhaços que fazem rir enquanto cuidam — como os doutores da alegria, os brincantes comunitários e aqueles que dedicam sua arte à transformação social. A palhaçaria é, antes de tudo, um gesto político de afirmação da vida: rir, mesmo quando o riso parece impossível, é um ato de resistência.
Que este dia sirva para lembrar que o riso é um direito e que o palhaço é patrimônio vivo da nossa cultura. Que possam seguir ocupando praças, ruas, lonas e imaginários com sua graça, sua poesia e sua potência criadora.
A todos os palhaços e palhaças do Brasil: obrigada por nos lembrar que o mundo fica melhor quando não perdemos a capacidade de brincar.

O Anjo de Nariz Vermelho: Trepinha e a Eternidade do Riso Cearense”
HOMENAGEM DO “FAZENDO A PRAÇA” AOS PALHAÇOS E PALHAÇAS DO CEARÁ
Hoje, o riso do Ceará ganha um brilho especial. Em nome do inesquecível Palhaço Trepinha, o “Fazendo a Praça” presta homenagem a todos os palhaços e palhaças que fazem do nosso estado um grande picadeiro de alegria, resistência e poesia.
Trepinha foi — e continua sendo — um símbolo vivo da força da palhaçaria cearense. Fugiu de casa aos 12 anos para seguir um sonho que só os de coração valente conseguem escutar. Aos 17, encontrou sua máscara e nunca mais largou o ofício de fazer rir. Rodou o Brasil, atravessou fronteiras e levou sua graça até a Guiana Francesa, sempre com os olhos miúdos que enxergavam longe e um coração que se recusava a crescer demais — como todo bom palhaço.
No Ceará, escolheu Fortaleza para fincar raízes e se tornar parte da alma da cidade. No Theatro José de Alencar, onde trabalhou desde a década de 1970 — de varredor a diretor de palco — fez de cada bastidor um picadeiro silencioso e de cada gesto um ato de amor à cultura popular. Seu humor quebrava paradigmas: nada de vulgaridade ou apelos fáceis, Trepinha fazia rir com pureza, delicadeza e inteligência. Era palhaço de criança, mas encantava adultos; era simples, mas profundo; brincalhão, mas mestre.
Mesmo aposentado, nunca deixou de trabalhar. Nunca deixou de ser palhaço. Seu legado segue vivo em projetos, pesquisas, aulas-espetáculo e nos muitos artistas que descobriram, em sua vida, um caminho possível entre o circo e o teatro.
Trepinha virou anjo em 26 de novembro de 2012, aos 85 anos, usando a menor máscara do mundo — a que cobre só o nariz — e levando consigo uma história gigante de dedicação ao riso.
Em nome dele, celebramos cada palhaço e cada palhaça do Ceará:
os que viajam em lonas itinerantes,
os que ocupam praças e ruas,
os que ensinam, pesquisam, encantam, curam, transformam.
Que o espírito de Trepinha — alegre, resistente, generoso e profundamente humano — continue inspirando todos os artistas que fazem do riso um ato de coragem.
Aos palhaços e palhaças do Ceará, o nosso respeito, o nosso aplauso e a nossa gratidão eterna.
Porque, como Trepinha nos ensinou, o riso é sempre maior do que a tristeza — e cabe inteiro dentro de um nariz vermelho.